Quarta-feira, Outubro 17, 2007

E SE O AMOR NÃO EXISTISSE?

Sei que a poesia já fez essa pergunta. A música, erudita ou popular, também a fez. A Filosofia e a Teologia, muito provavelmente, já formularam essa hipótese. Pois bem: e se o amor não existisse?

Suponho que não haveria poesia, nem música erudita ou popular, nem Filosofia ou Teologia... Quer saber? Nem geografia, história, biologia, matemática. Nada. Não estudaríamos.

Ninguém seria alfabetizado e não sei se deixaríamos de ser macacos. Ou, quem sabe, nem mesmo chegaríamos a ser macacos. Pararíamos em algum estágio bem antes disso.

Seríamos platelmintos, nematelmintos, anelídeos... No máximo, no melhor dos cenários - sem o amor - seríamos celenterados. É isso. Seríamos aqueles seres do mar, que ficam ali sem fazer coisa alguma e vivem sem saber por quê.

Mas o amor existe.

O problema é que o amor não sabe existir sozinho. Ele traz consigo uma série de outras coisas (e não apenas poesia, ciências humanas e exatas, a humanidade etc...). Ele traz mágoas, tristezas, raivas, ódios...

O amor provoca guerras e urticária, chacinas e dor-de-cabeça, genocídios e irritação nas axilas. O amor é uma pedrinha metafórica num sapato quase real; ou uma imensa pedra real no meio de nossa estradinha metafórica.

É inteorizável.

Além desses malefícios existenciais, a produção cultural que acompanha o amor não se limita às chamadas "belas artes". Tal sentimento também propiciou e ainda propicia coisas como péssima literatura, música da pior qualidade, festas horríveis e filmes muito chatos.

Sei não, mas às vezes penso que talvez fosse melhor ser uma anêmona. Ou então uma estrela-do-mar tão bonita quanto ignorante; no auge da felicidade, exatamente por não saber o que é ser ou deixar de ser feliz.

E sem ouvir música sertaneja.

3 comentários:

tathi xxx disse...

Sensacional!

Meire disse...

Uma surpresa linda numa tarde tediosa e sonolenta! hahaha
Maravilha de "despretensiosa-prosa-poética"! Amei!:)
Bjs,

Mei:)

Ni disse...

as vezes eu penso que se o amor não existisse seria menos penoso viver...
abraço