Ela tinha uma estranha vontade, que ao longo do tempo, de tanto pensar nisso, deixou de ser uma vontade doida para se tornar um plano real: assistir ao próprio velório. Saber quem iria, quem não iria, quem choraria, quem faria piada, quem falaria em dinheiro.
No começo, aquilo era uma bobagem. Mas, aos poucos, tudo se tornou mais ou menos factível. A idéia não era das mais simples, é claro, mas consistia no seguinte: ela forjaria a própria morte, haveria o tal velório, apareceria disfarçada e, anos depois, voltaria e contaria alguma história maluca explicando a necessidade da troca de identidades.
Enfim, era isso.
O primeiro passo foi conseguir nova identidade. Nada muito difícil, mas impressionantemente caro. Como morava no Rio, precisou dos serviços de um sujeito paulistano. Melhor assim. Meses depois, já tinha consigo a identidade, e levaria aproximadamente um ano para fazer uma transferência de renda razoável sem levantar suspeitas.
E seria preciso, sem dúvida, algum tipo de "morte" daquelas em que o corpo desaparece. Quanto a isso, o helicóptero da família seria providencial e, melhor ainda, o fato de que tinha o hábito de sair por aí com o dito cujo mesmo sem licença para tanto.
E foi assim: caiu, a notícia se espalhou, a morte abalou toda a sociedade, até que lá pelas tantas organizaram um velório sem o tal "corpo presente".
Devidamente disfarçada, ela foi conferir afinal de contas o que falariam a seu respeito. Depois de anos - anos! - elaborando o que outrora considerava "estranha vontade", chegou a vez de descobrir o gosto disso tudo.
A caminho do cemitério, porém, seu carro foi atingido por um caminhão, arrastado por quase cem metros e esmagado num muro. O corpo ficou irreconhecível e tudo que tinham ali eram os documentos daquela senhora desconhecida, que foi enterrada num velório sem ninguém.
No qual, obviamente, ninguém falou nada.
No começo, aquilo era uma bobagem. Mas, aos poucos, tudo se tornou mais ou menos factível. A idéia não era das mais simples, é claro, mas consistia no seguinte: ela forjaria a própria morte, haveria o tal velório, apareceria disfarçada e, anos depois, voltaria e contaria alguma história maluca explicando a necessidade da troca de identidades.
Enfim, era isso.
O primeiro passo foi conseguir nova identidade. Nada muito difícil, mas impressionantemente caro. Como morava no Rio, precisou dos serviços de um sujeito paulistano. Melhor assim. Meses depois, já tinha consigo a identidade, e levaria aproximadamente um ano para fazer uma transferência de renda razoável sem levantar suspeitas.
E seria preciso, sem dúvida, algum tipo de "morte" daquelas em que o corpo desaparece. Quanto a isso, o helicóptero da família seria providencial e, melhor ainda, o fato de que tinha o hábito de sair por aí com o dito cujo mesmo sem licença para tanto.
E foi assim: caiu, a notícia se espalhou, a morte abalou toda a sociedade, até que lá pelas tantas organizaram um velório sem o tal "corpo presente".
Devidamente disfarçada, ela foi conferir afinal de contas o que falariam a seu respeito. Depois de anos - anos! - elaborando o que outrora considerava "estranha vontade", chegou a vez de descobrir o gosto disso tudo.
A caminho do cemitério, porém, seu carro foi atingido por um caminhão, arrastado por quase cem metros e esmagado num muro. O corpo ficou irreconhecível e tudo que tinham ali eram os documentos daquela senhora desconhecida, que foi enterrada num velório sem ninguém.
No qual, obviamente, ninguém falou nada.
4 comentários:
Muito bom...
adorei!!!caraca!final simples e elaborado!!!!clap clap!!
Sweet irony
O bom do bom escritor é que ele é dono do seu próprio destino nas letras que põe sobre o papel ou tela. No caso sobreviveu à morte dupla de sua própria personagem. Muito criativo.
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