É curiosa a historinha do Herculano. Não é alegre, nem triste... Chega quase a ser engraçada. Foi assim: ele escreveu um livro centralizado na figura de um vilão, um sujeito repleto de defeitos, verdadeiro patife.
Era, na verdade, um petardo dirigido ao seu ex-amigo, Tenório. Mas quis o destino que a cidade toda entendesse errado pelas linhas certas (afinal, Herculano não escreve mal, embora seja do tipo que esculpe palavras; o inimigo, ao contrário, é do tipo que as metralha verborragicamente).
Na festa de lançamento, como é próprio aos canalhas, Herculano chegou a posar para fotos com Tenório, e delicadamente não mencionou que se tratava de um livro sobre o próprio - mas a "vítima", atenta, já estava ciente desse pormenor (não era preciso muita astúcia diante das falta de delicadeza do autor).
Na mesma noite, Tenório correu ao jornal e escreveu rapidamente sua coluna, a que sairia já no dia seguinte. Nela, elogiou a obra e parabenizou o amigo, sobretudo em razão da coragem pelo fato de se colocar como o grande vilão do livro. Os fatos e defeitos, portanto, recaíram sobre Herculano.
Claro que o autor tentou refutar por várias vezes, mas já era tarde demais e não teria como. Havia contra si anos de amizade, as fotos da noite anterior, as declarações do autor dizendo que "Tenório seria o único a entender a profundidade da obra", além do fato de que e os elogios da coluna foram rasgadíssimos. Ninguém entendeu como uma ofensa.
O que traiu Herculano foi a falta de hombridade, a mania de agir nas sombras e atacar por trás. Como sua grande virtude foi sempre a simpatia superficial, seu defeito era também o exato oposto: a antipatia escamoteada, os xingamentos por detrás dos panos, e todo o repertório dos que não suportam o peso da desagradabilidade social.
Enquanto todo o plano do escritor era fruto de sua covardia, Tenório mostrava a cara e indicava ali, muito claramente, todos os nomes. Era sabido que toda a cidade o considerava insuportável e muitos riam de sua cara. Alguns, como Herculano, somente pelas costas e a uma distância segura. Mas poucos, bem poucos, duvidavam de sua sinceridade.
Acabou que deu nisso.
Coube àquele que deveria ser a vítima apenas bater com o dedo na primeira peça de um jogo de dominós armado por quem se imaginava um algoz astuto apenas porque se escondia enquanto tramava um ataque.
A cidade até hoje comenta a história, e vez por outra faz fofoca sobre os casos - os do livro -, indo muitas vezes além do que se narra na trama. O povo é assim mesmo, sabemos disso. É tudo culpa do Herculano.
Como se diz, o resto é história.
Era, na verdade, um petardo dirigido ao seu ex-amigo, Tenório. Mas quis o destino que a cidade toda entendesse errado pelas linhas certas (afinal, Herculano não escreve mal, embora seja do tipo que esculpe palavras; o inimigo, ao contrário, é do tipo que as metralha verborragicamente).
Na festa de lançamento, como é próprio aos canalhas, Herculano chegou a posar para fotos com Tenório, e delicadamente não mencionou que se tratava de um livro sobre o próprio - mas a "vítima", atenta, já estava ciente desse pormenor (não era preciso muita astúcia diante das falta de delicadeza do autor).
Na mesma noite, Tenório correu ao jornal e escreveu rapidamente sua coluna, a que sairia já no dia seguinte. Nela, elogiou a obra e parabenizou o amigo, sobretudo em razão da coragem pelo fato de se colocar como o grande vilão do livro. Os fatos e defeitos, portanto, recaíram sobre Herculano.
Claro que o autor tentou refutar por várias vezes, mas já era tarde demais e não teria como. Havia contra si anos de amizade, as fotos da noite anterior, as declarações do autor dizendo que "Tenório seria o único a entender a profundidade da obra", além do fato de que e os elogios da coluna foram rasgadíssimos. Ninguém entendeu como uma ofensa.
O que traiu Herculano foi a falta de hombridade, a mania de agir nas sombras e atacar por trás. Como sua grande virtude foi sempre a simpatia superficial, seu defeito era também o exato oposto: a antipatia escamoteada, os xingamentos por detrás dos panos, e todo o repertório dos que não suportam o peso da desagradabilidade social.
Enquanto todo o plano do escritor era fruto de sua covardia, Tenório mostrava a cara e indicava ali, muito claramente, todos os nomes. Era sabido que toda a cidade o considerava insuportável e muitos riam de sua cara. Alguns, como Herculano, somente pelas costas e a uma distância segura. Mas poucos, bem poucos, duvidavam de sua sinceridade.
Acabou que deu nisso.
Coube àquele que deveria ser a vítima apenas bater com o dedo na primeira peça de um jogo de dominós armado por quem se imaginava um algoz astuto apenas porque se escondia enquanto tramava um ataque.
A cidade até hoje comenta a história, e vez por outra faz fofoca sobre os casos - os do livro -, indo muitas vezes além do que se narra na trama. O povo é assim mesmo, sabemos disso. É tudo culpa do Herculano.
Como se diz, o resto é história.
Moralzinha: Antes de passar uma lição de moral, verifique se há alguma no bolso de sua consciência.
3 comentários:
Gostei do texto, por ironia acabo de saber que algumas pessoas me scanearam na surdina, foi chifre, mesmo, dos mais sujos... Eu acho que isso é texto pra outro BLOG. Desculpe-me.
Ah, comecei o comentário pra dizer que eu sou como o Tenório... a casa cai e não tem meias verdades, meio caráter etc.
Iiiiiiiiiiiihhhh rapá.... Tem moralzinha e tudo? Eitcha...
Bjo
Ana
www.mineirasuai.blogspot.com
[´~;e[a~]
ça;e/[]aeç;aeãe;/eaae
Muy bien, cabrón...
Clap Clap!
Isso foi em Pato Branco?! xD
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