Seu nome era Jacqueline, um nome francês, e não era exatamente curioso ter um nome estrangeiro tanto quanto seria estranho ter mesmo um nome. Ninguém, das suas, tinha nome algum. Nasceu e cresceu num desses campos feitos exclusivamente para nascer e crescer. Nada sabia do mundo lá fora. E assim como ousou ter um nome, também foi rebelde o bastante para cultivar o sonho de um amor.
Amava Luiz.
Conheceram-se, é verdade, pela conveniência de estarem lado a lado, ali naquela prisão, da qual não conseguem fugir, nem mesmo sair do lugar. Aos poucos um gostou do outro - e a idéia de ambos terem nomes surgiu dela. Por certo, é preciso reconhecer, muitos outros casais e muitos outros amores devem ter surgido naquele imenso presídio no qual tantos indivíduos e casais são ceifados pelas tantas da vida. E com o objetivo único de satisfazer outra espécie.
Os poucos meses de amor de Jacque e Luiz se passaram até que o inevitável aconteceu. Os dois foram levados dali, já mortos, para saciar a fome de uma classe privilegiada. E era a fome em seu sentido mais primitivo: seriam devorados, engolidos, digeridos.
Em sua infinita desfaçatez, o destino nem mesmo permitiu que os dois terminassem juntos. Ela se tornou parte de um hambúrguer e ele parcela do que deveriam ser cubos de carne. E nem chegaram a perceber quando a máquina lhes tirou a vida.
Jacqueline, horas antes dessa desgraça, ainda fazia seus planos românticos e pueris, supondo a hipótese de semear pelo mundo. Luiz, sempre cético, embora ouvisse sua amada com carinho, preferia lembrá-la da ironia da situação de ambos. Estavam ali para evitar a morte de inocentes, servindo de comida aos que não queriam machucar outros seres.
Ela, é claro, nunca entendeu nada disso e se recusava a aceitar a história, mas sabia do destino inevitável. Como seria possível acabar com o amor e, mais ainda, a vida de dois inocentes pés de soja sob o pretexto de que bois e vacas teriam almas mais louváveis? Em hipótese alguma isso faria sentido. Mas não havia meio de reagir.
E amaram-se até o fim.
Amava Luiz.
Conheceram-se, é verdade, pela conveniência de estarem lado a lado, ali naquela prisão, da qual não conseguem fugir, nem mesmo sair do lugar. Aos poucos um gostou do outro - e a idéia de ambos terem nomes surgiu dela. Por certo, é preciso reconhecer, muitos outros casais e muitos outros amores devem ter surgido naquele imenso presídio no qual tantos indivíduos e casais são ceifados pelas tantas da vida. E com o objetivo único de satisfazer outra espécie.
Os poucos meses de amor de Jacque e Luiz se passaram até que o inevitável aconteceu. Os dois foram levados dali, já mortos, para saciar a fome de uma classe privilegiada. E era a fome em seu sentido mais primitivo: seriam devorados, engolidos, digeridos.
Em sua infinita desfaçatez, o destino nem mesmo permitiu que os dois terminassem juntos. Ela se tornou parte de um hambúrguer e ele parcela do que deveriam ser cubos de carne. E nem chegaram a perceber quando a máquina lhes tirou a vida.
Jacqueline, horas antes dessa desgraça, ainda fazia seus planos românticos e pueris, supondo a hipótese de semear pelo mundo. Luiz, sempre cético, embora ouvisse sua amada com carinho, preferia lembrá-la da ironia da situação de ambos. Estavam ali para evitar a morte de inocentes, servindo de comida aos que não queriam machucar outros seres.
Ela, é claro, nunca entendeu nada disso e se recusava a aceitar a história, mas sabia do destino inevitável. Como seria possível acabar com o amor e, mais ainda, a vida de dois inocentes pés de soja sob o pretexto de que bois e vacas teriam almas mais louváveis? Em hipótese alguma isso faria sentido. Mas não havia meio de reagir.
E amaram-se até o fim.
2 comentários:
como deve ser triste a vida de soja
Ai q conforto, ler alguém expondo o seu "fantástico mundo de bob".
Pena que eu sou carnivora... E qdo eu fui limpar o peixe q meu marido pescou, ele ainda estava vivo, fiquei com uma peninha... mas depois qdo senti o cheirinhno dele frito hummm...la se foi a pena por agua abaixo.
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